Psicanálise

A decisão de consultar um psicólogo ou psicanalista, nem sempre é fácil e tão pouco imediata. As razões para o fazer são diversas e podem traduzir-se por um sofrimento, uma dor, um luto, uma falta, uma angústia, uma repetição, um impasse, ou simplesmente por uma questão sem resposta que insiste... Em qualquer dos casos, é quando «alguma coisa não está bem» que uma consulta no psicanalista pode fazer sentido e ter interesse. É com frequência um momento pontual e preciso na vida de cada um. Muitas vezes conseguimos resolver sozinhos os enigmas que encontramos, mas por vezes precisamos do outro para dialogar, para dar voz às nossas ansiedades e desejos. Em cada um de nós, a possibilidade de se (re)conhecer e de se transformar, abre espaço à continuidade e à reinvenção.

 

Há alguns preconceitos relativamente à psicanálise, que sugerem que os processos de cura são demasiado longos e silenciosos. Essa não é uma regra. Cada um é livre de iniciar uma psicanálise e de a terminar quando considera que já está melhor, que não sente mais necessidade. No entanto, a partir do momento em que se inicia o trabalho, ele exige uma regularidade e um compromisso claro, que não é outro senão consigo próprio.

Porque se pensa como uma prática e uma ética, a psicanálise compromete-se antes de mais com uma verdade - a do sujeito. É pelo que se repete e não queremos ou pelo que percebemos estar fora do âmbito da nossa vontade e nos causa sofrimento, que sabemos que há "uma outra cena", uma cena inconsciente que se impõe e boicota a nossa vontade consciente. No trabalho da análise experimentamos desvelar essa outra cena, ou seja, fazer emergir à superfície os desejos inconscientes que nos animam.

Cada um deve ser escutado na sua singularidade e na sua complexidade. É difícil estabelecer antecipadamente o tempo que pode demorar uma psicanálise, mas os efeitos sentem-se e é isso que nos guia nos processos de cura.